Le début. O momento zero da existência. Tão poética quanto técnica, a ICSI (intra cytoplasmic sperm injection) consiste em fabricar embriões juntando os 2 gâmetas com uma micropipeta.
Foi um dos procedimentos da procriação medicamente assistida, destinada a casais inférteis, que presenciei na semana passada. Duma célula a um serzinho que vai complexificando... Num dos outros dias, vi bater um coração minúsculo na ecografia de um feto de 14 semanas. 5 minutos mais tarde, depois de desintegrado, era aspirado com uma sonda. Aqui a interrupção voluntária da gravidez é permitida e fazem-se cerca de 3000 anualmente, no serviço onde estou. A operação é muito simples e dura menos de um fósforo, em regime de bloco e sob anestesia geral. Se para ver abortos não há grande fila, à sala de partos o acesso parece impossível, já que externos e estudantes-parteira se degladiam para conseguir lugar. Por essa razão, decidi apostar nas consultas, urgências e internamento de Ginecologia e Gravidezes de Risco. Tem sido interessante ver um pouco de tudo, mas os fundamentos teóricos deixam muito a desejar. Requisitei vários livros da biblioteca, mas só tive tempo para começar alguns capítulos; além disso, as aulas ainda estão para vir: serão nas próximas semanas a injecções de 4 horas por tarde... Parece que todo o trabalho se acumulou no final do ano: também para o Francês não faço outra coisa que não correr para a sala multimédia do centro de línguas ou me enredar num maldito dossier que deve perfazer no mínimo 5 páginas para ser entregue antes da última aula. O Delf, o exame para que me inscrevi, e para o qual só fiz uns esboços de esforço anda a assombrar os meus dias.
Comprei o material de ski: esquis, botas e batons.
O coração dos estudantes palpita em coro, ansiando pela abertura da época do ski, no próximo fim-de-semana. O ar está espesso de expectativa, todas as conversas convergem no tema: a espessura da neve, as pistas que estarão abertas, o material, a école de glisse. Até eu, que apesar dos apetrechos comprados, estava decidida a só começar o ski depois de ter dado vazão à obrigação, me deixei contagiar pelo espírito da colectividade e também partirei entre a manada que no próximo sábado ruma às brancas pendentes da estação de Deux Alpes.

Entretanto continuam a suceder-se jantares e afins, com uma cadência tal que a minha avó, que acompanha estas novidades, já me teme perdida... Para entrada, na 3a-feira fui a um jantar de crepes chez Konrad, um erasmus alemão: crepes salgados e crepes de sobremesa. Como prato principal, na 4a-feira, um estudante francês convidou-me para o diner e preparou massa, a universalmente-adorada-e-infinitas-vezes-cozinhada-pelos-estudantes, massa. Como dessert, 5a-feira jantamos todos num kebab do centre ville. 6a-feira, chegada da natação e dança, fui puxada para a soirée B52 numa cozinha da residência. Para os menos entendidos, como eu, B52 é um shoot que leva Licor de café, Irish cream e Triple Sec, por esta ordem, sendo que a última camada se põe a arder para impor que esteja tudo bebido antes que a palhinha derreta. Não houve excessos, mas estava toda a gente muito animada e o segurança veio por 3 vezes pedir silêncio.

Este fim-de-semana recebi cá o Eduardo, um amigo do alemão. Acabou por integrar as andanças da trupe da residência e, Domingo, o único dia de céu azul e sol dos últimos tempos, permitiu que fossemos caminhar para a montanha perto do centre ville. Foi uma caminhada muito agradável, sempre com vista sobre a urbe, onde o Eduardo pode muito bem avaliar o espírito desportivo que embebe as gentes, a cada vez que um ciclista se cruzava connosco dando desesperadamente aos pedais para subir. Depois de uma exposição de chocolate, ideal para um alérgico como eu, o Konrad convidou-nos gentilmente para um lauto jantar em sua casa.
Só destaco a sobremesa: uma deliciosa sopa doce de flor de rosa com gelado de baunilha. Ontem, aproveitei, a visita para, também eu, descobrir alguns museus.
Et voilá! Est tudo! Ando com um manque de sono tremendo... Au revoir!
Foi um dos procedimentos da procriação medicamente assistida, destinada a casais inférteis, que presenciei na semana passada. Duma célula a um serzinho que vai complexificando... Num dos outros dias, vi bater um coração minúsculo na ecografia de um feto de 14 semanas. 5 minutos mais tarde, depois de desintegrado, era aspirado com uma sonda. Aqui a interrupção voluntária da gravidez é permitida e fazem-se cerca de 3000 anualmente, no serviço onde estou. A operação é muito simples e dura menos de um fósforo, em regime de bloco e sob anestesia geral. Se para ver abortos não há grande fila, à sala de partos o acesso parece impossível, já que externos e estudantes-parteira se degladiam para conseguir lugar. Por essa razão, decidi apostar nas consultas, urgências e internamento de Ginecologia e Gravidezes de Risco. Tem sido interessante ver um pouco de tudo, mas os fundamentos teóricos deixam muito a desejar. Requisitei vários livros da biblioteca, mas só tive tempo para começar alguns capítulos; além disso, as aulas ainda estão para vir: serão nas próximas semanas a injecções de 4 horas por tarde... Parece que todo o trabalho se acumulou no final do ano: também para o Francês não faço outra coisa que não correr para a sala multimédia do centro de línguas ou me enredar num maldito dossier que deve perfazer no mínimo 5 páginas para ser entregue antes da última aula. O Delf, o exame para que me inscrevi, e para o qual só fiz uns esboços de esforço anda a assombrar os meus dias.Comprei o material de ski: esquis, botas e batons.
Entretanto continuam a suceder-se jantares e afins, com uma cadência tal que a minha avó, que acompanha estas novidades, já me teme perdida... Para entrada, na 3a-feira fui a um jantar de crepes chez Konrad, um erasmus alemão: crepes salgados e crepes de sobremesa. Como prato principal, na 4a-feira, um estudante francês convidou-me para o diner e preparou massa, a universalmente-adorada-e-infinitas-vezes-cozinhada-pelos-estudantes, massa. Como dessert, 5a-feira jantamos todos num kebab do centre ville. 6a-feira, chegada da natação e dança, fui puxada para a soirée B52 numa cozinha da residência. Para os menos entendidos, como eu, B52 é um shoot que leva Licor de café, Irish cream e Triple Sec, por esta ordem, sendo que a última camada se põe a arder para impor que esteja tudo bebido antes que a palhinha derreta. Não houve excessos, mas estava toda a gente muito animada e o segurança veio por 3 vezes pedir silêncio.
Este fim-de-semana recebi cá o Eduardo, um amigo do alemão. Acabou por integrar as andanças da trupe da residência e, Domingo, o único dia de céu azul e sol dos últimos tempos, permitiu que fossemos caminhar para a montanha perto do centre ville. Foi uma caminhada muito agradável, sempre com vista sobre a urbe, onde o Eduardo pode muito bem avaliar o espírito desportivo que embebe as gentes, a cada vez que um ciclista se cruzava connosco dando desesperadamente aos pedais para subir. Depois de uma exposição de chocolate, ideal para um alérgico como eu, o Konrad convidou-nos gentilmente para um lauto jantar em sua casa.
Et voilá! Est tudo! Ando com um manque de sono tremendo... Au revoir!
Sem comentários:
Enviar um comentário