segunda-feira, 17 de novembro de 2008

BONSOIR?!

Estou há 10 semanas em Grenoble. Pensando nos objectivos iniciais de estudar com afinco, constato o quão desadequados estavam às exigências de cá. Durante as 5 semanas que durou a Cirurgia, limitei-me a ler um livrinho de gestos cirúrgicos e nada mais! Trabalhei para além das horas que me destinaram, multiplicando-me entre doentes e diligências, mas não há dúvida que metade da energia se consome a olear a engrenagem do hospital, preenchendo papéis, recebendo faxes e telefonemas, teclando no computador, imprimindo, colando vinhetas, colando eléctrodos...e os problemas na traumatologia são relativamente imediatos e repetitivos para exigirem muito raciocínio. Saída do hospital, não sinto, realmente, nenhuma pressão nem motivação para estudar. A vida profissional deve ser assim, bem favorável à acomodação... A juntar a isto, sobretudo desde o regresso de Marseille, as solicitações para tudo quanto é festa, jantar, sobremesa, filme, café, caminhada, cartada têm sido tantas, tão irresistíveis, tão sobrepostas que meia hora sozinha já me parece estranho. Tenho dificuldades em dizer que não e uma tendência natural a aderir às iniciativas alheias que me parecem interessantes, às vezes mais para apoiar o autor ou acumular experiências que por entusiasmo em participar. Dispersa neste magma de distracções além de não estudar, estou endividada em sono. Tenho que fazer face a esta sensação de improdutividade intelectual! Tem sabido bem deixar-me ir com a corrente, mas chegou a hora de traçar alguns objectivos. Assim, até ao fim, defini que quero aprender decentemente Ginecologia, trabalhar no exame de Francês para o qual me inscrevi e cuja data se aproxima e entrar nas calças de ski, já que engordei um bocado...

A semana passada foi mais curta que o habitual, mas não menos pululante de eventos. Dignos de registo: com pontaria faltei à festa de Medicina que segundo relatos foi um banho de álcool e vómito (entre outras secreções), já para não falar de medicamentos usados pelos seus efeitos laterais... 6a festa em casa da Dorothea, uma alemã que partilha um apartamento do centre ville com 2 co-locs franceses. Vários erasmus e música, foi simpático. No fim-de-semana conheci os novos erasmus de Medicina chegados do UK e também instalados em La Tronche. No Domingo madrugamos para ir caminhar para a montanha, mas íamo-nos afogando na bruma e do miradouro só vimos o branco das nuvens. A inglesa trouxe carro o que significa mobilidade sem horários. Depois da montanha, almoçamos em Voiron com intenção de visitar a fábrica de Chartreuse, uma bebida muito alcoólica que se produz com 120 ervas da região, mas batemos com o nariz na porta porque desde a semana passada fecha ao Domingo...

Até aqui tenho lavado a roupa à mão, deixando-a a marinar no produto durante a noite. É simples e não perco muito tempo. Contudo, depois da espeleologia, enlameei a roupa toda e tive que esfregar vigorosamente com o pó. Não usei luvas e fiz uma queimadura química em 2 dedos. Esta semana decidi que seria mais simples ir à laverie, como, aliás, fazem todos os outros. A Diana, a romena, também tinha roupa para lavar e fomos as duas. Escolhemos a laverie mais próxima e barata. Trata-se de uma sala onde se alinham várias máquinas de lavar e de secar activadas com uma moeda. Estávamos as duas lá sozinhas a ver a secadora às voltas, quando entra um indivíduo de ar indiano, dos seus 30 anos, razoavelmente bem vestido. Estava visivelmente a magicar alguma porque se enganou e, em pleno meio-dia, nos cumprimentou com "Bonsoir" e depois fingiu interesse nas máquinas em funcionamento como se esperasse pela sua roupa, mas para cúmulo pôs-se a olhar precisamente para a nossa! Bem, às tantas virou-se e perguntou-nos as horas com o pénis na mão... Eu fiquei petrificada de medo, mas respondi em tom decidido "Tem um relógio na parede atrás de si!". 10 segundos depois deu meia volta e foi-se embora! Que episódio! Li agora na internet que o exibicionismo é um desvio sexual, uma pulsão psicológica, onde se obtém prazer sexual, mostrando os órgãos genitais aos outros. É mais frequente nos homens e não implica forçosamente, alterações psiquiátricas nos outros campos da vida. Vou fazer o copy da wikipédia desta passagem que me parece interessante : A research team asked a sample of 185 exhibitionists, “How would you have preferred a person to react if you were to expose your privates to him or her?” The most common response was “Would want to have sexual intercourse” (35.1%), followed by “No reaction necessary at all” (19.5%), “To show their privates also” (15.1%), “Admiration” (14.1%), and “Any reaction” (11.9%). Only very few exhibitionists chose “Anger and disgust” (3.8%) or “Fear” (0.5).

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