domingo, 15 de fevereiro de 2009

NATAL

Acabo de aterrar em Lisboa sem ponta da euforia prevista quando, há 3 meses, encaixilhei a fluorescentes a quadrícula do 22 de Dezembro no calendário. Nessa altura, as dificuldades e fascínio das primeiras experiências coexistiam com a vontade da rotina e do conforto caseiros e a ânsia da família e dos amigos de sempre. Por fim, 3 meses volvidos, posso dizer que passei o ponto crítico de mudança, de habituação, estabilizei, respondo mecanicamente ao que no início representava um problema, enraizei-me nas novas estruturas materiais e sociais, tenho um quotidiano previsível, uma nova vida. Estou muito contente por rever a minha família, mas voltar a Portugal já não é mais regressar à rotina e ao conforto conhecidos porque esses elementos já os tenho de onde venho. Pela primeira vez vou ao Porto passar férias! Ainda bem que consegui o prolongamento. Não seria fisiológico partir agora que a acomodação de que falo está consolidada.

Em Grenoble as iluminações de Natal enfrentam timidamente a noite que engole a cidade a partir das 17h. O bulício natalício sente-se sobretudo nas imediações do mercado de Natal, instalado na Place Victor Hugo. A luz dourada e a aura de canela atraiem as gentes que se passeiam entre as barraquinhas de artesanato, aquecendo as mãos e esófago e o espírito com chocolate ou vinho quentes. À volta, as artérias comerciais dilatam para acomodar a multidão consumista. Para celebrar a festividade, organizei uma pequena festa de Natal na residência. Tive de pedir autorização por escrito à directora discriminando pormenores. Cada participante trouxe um prato típico de Noel do seu país (eu fritei um tabuleiro de rabanadas em tempo record e, apesar de ter carbonizado algumas, no final não sobrou migalha!). Na troca de presentes calhou-me uma garrafa de Leffe, a cerveja belga, e, à polaca, a caneca e o paninho portugueses.

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